Prefácio Sem Sentido - ESTRANHOS CAMINHOS DE SANDRO E TIAGO
- Paulo Pereira de Araujo

- 21 de jan.
- 2 min de leitura
Atualizado: 25 de jan.

Não Explica, Não Ajuda e Não Será Retomado
Este prefácio existe por exigência editorial e não por necessidade interna. Livros como este não precisam ser apresentados; precisam ser deixados em algum lugar, de preferência onde ninguém esteja procurando.
Prefácios servem para tranquilizar o leitor, alinhar expectativas e garantir que nada muito grave acontecerá nas páginas seguintes. Este não fará nada disso. Se fizer, terá falhado.
Costuma-se dizer que o prefácio é a porta de entrada do livro. Discordo. Portas pressupõem direção. Este texto funciona mais como um tapete que escorrega levemente quando alguém pisa, suficiente para gerar desconfiança, mas não um tombo memorável. Não espere aviso sonoro.
O autor deste livro não sou eu e essa frase já está errada. Sou eu, sim, mas apenas enquanto escrevo. Assim que você virar a página, deixarei de concordar comigo. Isso não é estratégia narrativa; é incapacidade de permanência.
Alguns leitores procurarão aqui uma chave de leitura. Outros, um contexto. Há ainda os que desejam saber se estão autorizados a rir. Não posso ajudar. O riso, quando ocorre, costuma acontecer depois, em lugares inadequados, e raramente é compartilhável.
Este livro não tem começo, embora comece. Não tem desenvolvimento, embora avance lateralmente. Não tem conclusão, embora insista em se encerrar. Qualquer tentativa de ordem foi abandonada cedo demais para virar método.
Convém esclarecer que nada aqui é gratuito. Também nada é necessário. Essa ambiguidade não será resolvida. Textos que resolvem ambiguidades costumam substituí-las por explicações longas, e isso sempre me pareceu uma forma elegante de estragar tudo.
Se você já leu algo parecido antes, lamento. Se nunca leu nada parecido, lamento também. Ambas as situações produzem o mesmo efeito: uma leve sensação de deslocamento, como entrar numa conversa que começou sem você e continuará depois que você sair.
Não se recomenda leitura linear. Também não se recomenda leitura aleatória. A melhor forma de ler este livro é inadequada, mas cada leitor descobrirá a sua com algum atraso.
Este prefácio não prepara para o que vem a seguir. Ele apenas não impede.
Se, ao final, você sentir vontade de explicar este livro a alguém, peço que não o faça. Livros como este sobrevivem melhor quando permanecem ligeiramente mal compreendidos.
Agora, pode começar por qualquer lugar. Inclusive não por aqui.




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