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O Jogo Sujo da História - O JOGO DA DITADURA

  • Foto do escritor: Paulo Pereira de Araujo
    Paulo Pereira de Araujo
  • 18 de nov. de 2025
  • 3 min de leitura

Atualizado: 25 de jan.

 Jovem com uniforme da seleção chuta bola furada e sombras atrás dele lançam outra, simbolizando a verdadeira história.
Jovem vestindo uniforme da seleção brasileira em ação com uma bola furada e figuras de sombra, ao atirar uma bola nova, dizem que ela representa a verdadeira história.

O Jogo Sujo da História - O Campeonato Mais Perverso já Disputado


Meu criador, Paulo Drama, fez muito bem em criar esse blog sobre a ditadura militar no Brasil. Há coisas que um sujeito engole calado e resignado como quem aguarda o atendimento num banco onde só tem um caixa funcionando, ou como quem finge que não escuta o vizinho tocando sertanejo universitário às sete da manhã de um domingo.


Agora, ouvir gente dizendo que não houve ditadura no Brasil ou que foi só uma ditabranda é demais até pra um velho calejado como ele, e como eu também. Paciência, a gente sabe, tem prazo de validade.


A nossa, pelo visto, venceu faz tempo e ninguém avisou ao fabricante. E não é pra menos. De vez em quando surge um iluminado, desses que acham que descobrem a verdade histórica numa corrente de WhatsApp, dizendo que censura não existiu, que tortura é invenção de comunista, que democracia é quando meia dúzia manda e o resto obedece sorrindo.


Tem gente que, se pudesse, chamaria o AI-5 de cartão amarelo mais contundente. E aí você olha e pensa: meu Deus, como é que esse povo consegue dormir tranquilo enquanto tenta reescrever a história com a desfaçatez de quem devolve bola furada no campinho e ainda jura que não foi ele?


Por isso o blog O Jogo da Ditadura. Porque a molecada que não viveu os anos de chumbo já tá sendo driblada por fake news, comentários tortos e nostalgias delirantes. Porque alguém precisa dizer que o jogo daquela época não teve nada de amistoso.


Juiz em traje militar mostra cartão vermelho do AI-5. Brasil em plena ditadura militar.
Juiz em traje militar mostra cartão vermelho do AI-5. Brasil em plena ditadura militar.

O Brasil Entrou em Campo Sem Torcida, Sem Voz e Com Regra Marcada


Era campeonato bruto, rachão violento, juiz comprado, torcida silenciada, e jogador que sumia do vestiário não por lesão muscular, mas por decisão “técnica” dos generais. Era futebol sem liberdade e com regras escritas no porão.


A escolha da linguagem futebolística não é acidente, é estratégia. Nós sabemos que entrar na área adversária com explicação acadêmica é pedir cartão. Mas com metáfora de bola rolando, a conversa muda.


Todo jovem entende o que é jogar intimidado, disputar partida com apito viciado, ser expulso sem cometer falta e ver o time perder porque o regulamento foi feito pra favorecer o mandante fardado. Futebol é nosso idioma afetivo. Quando falamos com a linguagem dele, a mensagem encontra o gol.


O Jogo da Ditadura é como aquele técnico veterano que bate no quadro tático e diz: prestem atenção, o Brasil já jogou com linha de quatro três três… quatro generais, três sensores e três torturadores.


E lembra que a ditadura militar nunca foi pelada romântica de campinho. Foi pancadaria institucionalizada, violência travestida de ordem, de carrinho no tornozelo de um país inteiro e sem VAR pra contestar.


Escreveremos as histórias da ditadura, mostraremos imagens e daremos nomes aos bois e aos torturadores, porque memória histórica não se corrige com eufemismos.


Queremos que os jovens compreendam que, se hoje podem reclamar do juiz, vaiar o técnico, xingar o presidente do clube e postar vídeo indignado, é porque muita gente antes deles teve coragem de não abaixar a cabeça.


E se alguém insistir que a ditadura foi “branda”, você devolve com a elegância que só o futebol permite. Branda é o travesseiro. A ditadura foi carrinho por trás com as duas solas na canela do país inteiro.


Isso, sim, eles entendem. E aí, quem sabe, a memória coletiva volta a jogar no ataque, pra evitar que o passado volte travestido de uniforme novo.



 
 
 

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