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PAÍSES AFRICANOS QUE MAIS FORNECERAM ESCRAVIZADOS

  • Foto do escritor: Paulo Pereira de Araujo
    Paulo Pereira de Araujo
  • 24 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

Atualizado: 25 de dez. de 2025


Aqui vai um panorama claro, direto e historicamente sólido sobre os países (ou regiões) da África que mais forneceram pessoas escravizadas para o Brasil durante todo o período do tráfico atlântico — lembrando que estamos falando de territórios atuais, mas que na época eram reinos, confederações e zonas culturais.

O Brasil recebeu cerca de 5 milhões de africanos escravizados — o maior número de toda a diáspora.

1. Angola (e parte da Namíbia atual)

Proporção aproximada do total trazido ao Brasil:

📌 Cerca de 40% a 45% do total

Regiões envolvidas

  • Luanda

  • Benguela

  • Cabinda

  • Congo-Angola como zona ampla

Por que tantos vieram dessa região?

  • Domínio direto português

  • Guerras internas e expansão militar europeia

  • Portos altamente lucrativos

  • Rotas já estabelecidas desde o século XVI

Esses povos são base das tradições bantu no Brasil.

2. República Democrática do Congo e República do Congo (antigo Reino do Kongo)

Proporção aproximada:

📌 20% a 25%

Regiões envolvidas

  • Mbanza Kongo

  • Litoral do Congo

  • Zona dos rios Congo e Cassai

O Reino do Kongo foi um dos estados mais politicamente sofisticados da África pré-colonial.

Grande parte dos escravizados chamados de “congos”, “angolas” ou “cassanges” veio dessa área.

3. Nigéria (região iorubá, hausa e outras)

Proporção aproximada:

📌 10% a 15%

Povos trazidos

  • Iorubás (Nagôs)

  • Hausa

  • Nupe

  • Fula/Fulani

  • Povos da região de Oyo, Ifé, Ijexá, Egba

Foi especialmente importante no século XIX, quando o Brasil recebeu muitos nagôs que moldaram o candomblé.

4. Benim (antigo Reino do Dahomey)

Proporção aproximada:

📌 10%

Povos trazidos

  • Fon/Jeje

  • Ewe

  • Aja

  • Mahi

Esses grupos influenciaram profundamente a religião jeje no Brasil, o culto aos voduns e práticas culturais da Bahia.

5. Gana (Costa do Ouro)

Proporção aproximada:

📌 5%

Povos trazidos

  • Akan (Fanti, Ashanti, Akwamu)

  • parte dos povos chamados “mina” no Brasil

A presença akan foi mais forte no século XVIII, sobretudo na Bahia e em Minas Gerais.

6. Moçambique (região banto oriental)

Proporção aproximada:

📌 5%

Regiões envolvidas

  • Ilha de Moçambique

  • Sena

  • Quelimane

  • Sofala

Foi importante especialmente no século XIX, quando o tráfico da região “condicionou” o fechamento das rotas atlânticas tradicionais.

7. Senegal, Gâmbia e Guiné (Senegâmbia e Alta Guiné)

Proporção aproximada:

📌 3% a 5%

Povos trazidos

  • Mandingas

  • Wolof

  • Fula

  • Balanta

  • Papel

Esses africanos foram essenciais no século XVI, início da escravidão no Brasil, e muitos eram muçulmanos — origem dos famosos malês.

SÍNTESE — PROPORÇÃO TOTAL POR REGIÃO ATUAL

Região / País atual

% aproximado

Característica marcante

Angola

40–45%

Base bantu do Brasil

Congo (RDC + RC)

20–25%

Reino do Kongo, tradição bantu

Nigéria

10–15%

Culturas iorubá e hausa

Benim

10%

Povos jeje / fon

Gana

~5%

Povos akan

Moçambique

~5%

Bantu oriental

Senegal / Gâmbia / Guiné

3–5%

Mandingas, Fula, islamismo

Resumo narrativo (útil para o romance)

Se você fosse pensar em “matrizes culturais principais” para personagens, elas seriam:

1. Bantu (Angola, Congo, Moçambique)

  • cura, ancestralidade, nkisi, raízes, corpo

  • força gigantesca na música, na capoeira, no ritmo, na língua

2. Iorubá/Nagô (Nigéria)

  • orixás, Ifá, transe, sistemas organizados de culto

  • pensamento urbano, intelectualizado, hierárquico

3. Jeje/Fon (Benim)

  • voduns, rituais mais formais, forte senso de linhagem

  • elemento político-cultural sofisticado

4. Islamizados (Senegal/Guiné/Nigéria)

  • leitura do árabe, rebeldia, cicatrizes de guerra, rigor moral

  • fonte histórica de revoltas e resistência

Cada uma dessas origens gera personagens com visões de mundo muito diferentes, o que dá ao romance uma riqueza dramática enorme.

Se quiser, posso agora montar:

  • perfis de personagens por origem africana,

  • tensões internas entre povos dentro da mesma fazenda,

  • como cada grupo via a morte, o trabalho, o sagrado, a resistência,

  • nomes africanos autênticos para personagens,

  • como ficariam suas falas, crenças, gestos e memórias.

 
 
 

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