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OS ESCRAVIZADOS

  • Foto do escritor: Paulo Pereira de Araujo
    Paulo Pereira de Araujo
  • 24 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

Atualizado: 25 de dez. de 2025


1. Século XVI (1500–1600)


Regiões de origem predominantes


  • Guiné Superior / Senegâmbia

    • Povos: Wolof, Mandinga/Malinke, Fula, Bambara

  • Guiné (Costa da Alta Guiné)

    • Povos: Bijagó, Balanta, Papel

  • Costa da Mina (início da presença)

    • Povos: Akan, Fanti, Ashanti (mais tarde)


Distribuição no Brasil


  • Bahia (Salvador): principal porto de entrada.

  • Pernambuco: muitos da Senegâmbia e Guiné.

  • Rio de Janeiro (final do século): início do fluxo.


Perfil geral: escravos mais islamizados (mandingas), maior presença de guerreiros e artesãos especializados.


2. Século XVII (1600–1700)

Com as guerras internas na África e a expansão portuguesa em Angola, ocorre a massiva entrada de centro-africanos.


Regiões de origem predominantes


Angola / Reino do Kongo / Ndongo


  • Povos e “nações”: Bantu, Kongo, Mbundu (Ambundu), Kimbundu, Kikongo, Imbangala (Jaga)


Costa da Mina (expansão ao longo do período)

  • Povos: Akan, Ewe-Fon, Fanti


Distribuição no Brasil

  • Nordeste açucareiro: Bahia e Pernambuco recebem enorme contingente de angolanos.

  • Rio de Janeiro: começa a ser grande porta de entrada.

  • Minas Gerais: no final do século, começo do fluxo para o interior (ainda pequeno).


Perfil geral: predominância absoluta de povos do Centro-Oeste africano, matriz linguística bantu.


3. Século XVIII (1700–1800)

O século da mineração altera totalmente o fluxo.


Regiões de origem predominantes


Centro-Oeste africano (continuam em alta)

  • Kongo, Ambundu, Ovimbundu, Lunda, Chokwe


Costa da Mina (ápice da presença)

  • Povos conhecidos como “mina”, geralmente Akan e principalmente Jeje-Fon:

    • Fon, Ewe, Mahi, Aja, Dahomey.

  • Também grupos Hausa, Gurma, Songhai (do interior da África Ocidental).


Sudanesa/“Nagô” (iorubás) — aumento significativo

  • Povos: Yorùbá (Nagô), Ijesha, Oyo, Egba.


Distribuição no Brasil


  • Minas Gerais: grande centro receptor; presença forte de “minas”, “nagôs” e “congos/angolas”.

  • Bahia: acentua a chegada de nagôs e jejes, base do futuro candomblé.

  • Perfil geral: o século XVIII é o mais diversificado em origem africana.

4. Século XIX (1800–1850 - antes da proibição efetiva)

A maior parte vem da África Ocidental e da Costa da Mina — especialmente após a repressão inglesa ao tráfico angolano.

Regiões de origem predominantes

Costa da Mina — auge dos iorubás (Nagôs)

  • Yorùbá (Nagô)

  • Ijesha

  • Oyo

  • Egba


Jeje (Fon/Ewe) ainda com força

  • Fon, Ewe, Aja, Mahi


Centro-Oeste africano (ainda presente, mas mais reduzido)

  • Kongo, Ambundu, Lunda, Ovimbundu


Distribuição no Brasil

  • Bahia: epicentro nagô no século XIX; revoltas como a Revolta dos Malês (1835) envolvem majoritariamente muçulmanos iorubás.

  • Rio de Janeiro: continua a ser o maior porto receptor.

  • Sudeste e Vale do Paraíba: escravidão cafeeira; enorme quantidade de centro-africanos (kongo/angola).


Perfil geral: reforço da presença nagô e jeje — e da cultura que molda profundamente a religiosidade afro-brasileira.

5. Pós-1850 até 1888 (período ilegal e final)

A Lei Eusébio de Queirós (1850) reprime o tráfico, mas não o extingue.

Regiões de origem predominantes

  • Centro-Africanos contrabandeados (Kongo/Angola) — maioria dos navios ilegais.

  • Alguns grupos nagôs ainda aparecem em listas clandestinas.


Distribuição no Brasil

  • Rio de Janeiro

  • Espírito Santo

  • Campos e Vale do Paraíba

  • Recôncavo Baiano (menos intenso)


RESUMO POR SÉCULOS

Século

Regiões predominantes

Povos/“nações” marcantes

Áreas do Brasil

XVI

Senegâmbia, Guiné

Wolof, Mandinga, Fula

Bahia, Pernambuco

XVII

Angola, Kongo, Mina

Kongo, Mbundu, Imbangala, Akan

Bahia, Pernambuco, RJ

XVIII

Angola/Kongo + Mina + Nagô

Kongo, Ambundu, Fon, Ewe, Akan, Nagô

Bahia, Minas, RJ

XIX

Costa da Mina (Nagô/Jeje) + Centro-Africanos

Nagô, Jeje, Kongo, Ambundu

Bahia, RJ, Sudeste

1850–1888

Centro-Africanos (contrabando)

Kongo/Angola



 
 
 

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