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LINHA DO TEMPO — ESCRAVIDÃO NO BRASIL (SÉCULOS XV–XX)

  • Foto do escritor: Paulo Pereira de Araujo
    Paulo Pereira de Araujo
  • 24 de dez. de 2025
  • 4 min de leitura


Século XV

  • 1452 – Bula Dum Diversas autoriza Portugal a escravizar africanos.

  • 1481–1492 – Consolidação dos entrepostos portugueses na costa africana.

  • 1494 – Tratado de Tordesilhas.


Século XVI

  • 1500 – Chegada dos portugueses ao Brasil; início da escravização indígena.

  • 1530–1534 – Capitanias hereditárias e primeiros engenhos.

  • 1549 – Governo-Geral e jesuítas; aldeamentos.

  • 1550–1570 – Expansão do açúcar; tráfico africano se intensifica.

  • 1580–1590 – União Ibérica facilita o tráfico de africanos.


Século XVII

  • 1600–1697 – Quilombo dos Palmares.

  • 1630–1654 – Ocupação holandesa; aumento do tráfico.

  • 1655–1661 – Conflitos entre colonos e jesuítas sobre trabalho indígena.

  • 1690s – Ciclo do ouro em Minas Gerais.


Século XVIII

  • 1700–1780 – Mineração em larga escala; aumento da escravização.

  • 1725–1750 – Pico do tráfico atlântico para o Brasil.

  • 1757 – Diretório dos Índios (Pombal).

  • 1763 – Transferência da capital para o Rio de Janeiro.

  • 1789 – Inconfidência Mineira.


Século XIX

  • 1808 – Abertura dos portos; intensificação do tráfico.

  • 1831 – Lei Feijó (proíbe tráfico, sem cumprimento).

  • 1835 – Revolta dos Malês.

  • 1850 – Lei Eusébio de Queirós (fim legal do tráfico).

  • 1871 – Lei do Ventre Livre.

  • 1885 – Lei dos Sexagenários.

  • 13 de maio de 1888 – Lei Áurea.


Século XX

  • 1910 – Revolta da Chibata.

  • 1930–1950 – Políticas oficiais de branqueamento.

  • 1951 – Lei Afonso Arinos (discriminação racial).

  • 1978 – Fundação do Movimento Negro Unificado (MNU).

  • 1988 – Constituição: reconhecimento dos quilombos.


Pessoas influentes relacionadas à escravidão no Brasil — incluindo figuras africanas, indígenas, negras, brancas, líderes de resistência, agentes do sistema, intelectuais, religiosos e governantes.


SÉCULO XV (1400–1499) — AS MATRIZES DO SISTEMA

(Ainda não há Brasil colônia, mas há figuras decisivas para o tráfico e sua ideologia.)

Portugal / África

  • Nicolau V – Papa que emite bulas legitimando a escravização de africanos.

  • Infante Dom Henrique, o Navegador – Articulador da expansão marítima e das feitorias africanas.

  • João II de Portugal – Centraliza o tráfico, fortalece feitorias como Mina.

  • Manikongo Nzinga a Nkuwu – Rei do Congo que estabelece relações diplomáticas com Portugal.

  • Princesa Nzinga Mbande (jovem no fim do século) – Sua linhagem inicia oposição africana à ocupação portuguesa.

SÉCULO XVI (1500–1599) — IMPLANTAÇÃO DA COLÔNIA E DO SISTEMA ESCRAVISTA

Portugueses e coloniais

  • Tomé de Sousa – Primeiro governador-geral.

  • Manoel da Nóbrega – Jesuíta influente na catequese e nos aldeamentos.

  • José de Anchieta – Missionário e articulador entre colonos e indígenas.

  • Mem de Sá – Governador que promove a expansão dos engenhos.

  • Duarte Coelho – Fundador da capitania de Pernambuco.

  • Martim Afonso de Sousa – Introdução dos primeiros engenhos de açúcar.

Indígenas

  • Cacique Tibiriçá – Figura central na política de São Paulo.

  • Cacique Araribóia – Líder temiminó aliado dos portugueses.

  • Guaicurus, Tupinambás, Aimorés – Diversos grupos resistem à escravização e ocupação.

Africanos

  • Primeiros chefes de etnias trazidos para o Brasil (iorubás, bantos, jejes, congos) – muitos nomes se perderam, mas sua importância é decisiva para cultura, religião e resistência.

SÉCULO XVII (1600–1699) — PALMARES, OURO E RESISTÊNCIAS

Lideranças de Palmares

  • Ganga Zumba – Rei de Palmares.

  • Zumbi – Líder máximo na fase final.

  • Dandara – Guerreira e articuladora militar e comunitária.

Coloniais / portugueses

  • Domingos Jorge Velho – Bandeirante responsável pela destruição de Palmares.

  • Manuel Beckman (Bequimão) – Líder da Revolta de Beckman (contra jesuítas e em defesa da mão de obra escrava).

  • Maurício de Nassau – Governante holandês que amplia o sistema escravista.

Africanos / afro-brasileiros

  • Domingos Sodré (nascido fim do século) – Sacerdote africano de tradição jeje-nagô, figura importante no século seguinte.

SÉCULO XVIII (1700–1799) — MINERAÇÃO, URBANIZAÇÃO E ARTICULAÇÃO NEGRA

Lideranças africanas e afro-brasileiras

  • Rainha Tereza de Benguela – Líder do Quilombo do Quariterê (Mato Grosso).

  • Luiza Mahin – Figura ligada ao levante dos malês (talvez mítica; excelente para literatura).

  • Chica da Silva – Ex-escravizada que ascende socialmente em Minas e cria contradições profundas.

Escravocratas e administradores

  • Marquês de Pombal – Reformas do Diretório dos Índios.

  • Governadores das capitanias de Minas, Rio e Bahia – responsáveis pela expansão do sistema, muitos com trajetórias interessantes para romance.

Intelectuais e figuras urbanas

  • Aleijadinho (Antônio Francisco Lisboa) – Filho de português e mulher negra; sua trajetória dialoga com o período.

  • Tiradentes (Joaquim José da Silva Xavier) – Inconfidência Mineira; importante para revelar ambivalências escravistas da elite.

Personagens coletivos importantes

  • Ganhadores da Bahia – Homens e mulheres negras de ganho; peça central da economia urbana.

  • Minas africanas (nagô, jeje, angolas) – núcleos religiosos e culturais que articulam resistência.

SÉCULO XIX (1800–1899) — TRÁFICO, ABOLICIONISMO, REVOLTAS

Abolicionistas negros

  • Luiz Gama – Advogado, poeta, libertador jurídico de centenas.

  • José do Patrocínio – Jornalista, ativista político.

  • André Rebouças – Engenheiro, intelectual, essencial no debate público.

Abolicionistas brancos

  • Joaquim Nabuco – Pensador e diplomata.

  • Princesa Isabel – Assina a Lei Áurea; figura controversa.

  • Rui Barbosa – Queima dos arquivos da escravidão (tema literário fortíssimo).

Lideranças e movimentos de resistência

  • Líderes da Revolta dos Malês (1835) – como Pacífico Licutã e Ahuna.

  • Manuel Congo – Líder quilombola no Rio (1838).

  • Zeferina – Líder da Revolta dos Africanos em Salvador (1826).

  • Dom Obá II d’África – Figura política e folclórica do Rio, defensor da população negra.

Religiosas e de matriz africana

  • Mãe Aninha (fim do século) – Fundadora do Ilê Axé Opô Afonjá.

  • Tias baianas – Mulheres negras fundamentais para cultura e economia urbana.

Intelectuais estrangeiros que estudaram o Brasil

  • Florence (Auguste de Saint-Hilaire)

  • Rugendas— Desenhos, relatos e documentos-chave para pesquisa.

SÉCULO XX (1900–1999) — O PÓS-ESCRAVIDÃO E O LONGO ECO

(Ainda ligado ao legado da escravidão; útil para fechar seu romance com ecos no presente.)

Lideranças negras

  • João Cândido (Almirante Negro) – Revolta da Chibata (1910).

  • Abdias do Nascimento – Teatro Experimental do Negro, luta por direitos civis.

  • Lélia Gonzalez – Intelectual decisiva para pensar raça e gênero.

  • Sueli Carneiro – Pensamento filosófico e político.

  • Carolina Maria de Jesus – Voz literária fundamental do Brasil pós-escravidão.

Antropólogos / historiadores

  • Arthur Ramos

  • Gilberto Freyre – Ambíguo, clássico, importantíssimo para debates.

  • Florestan Fernandes – Pesquisa seminal sobre racismo estrutural no Brasil.

Movimento Negro Unificado

  • Fundado em 1978, essencial para compreender a continuidade da luta.




 
 
 

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